CÓDIGO PENAL
Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de Dezembro de 1940.
Violação do direito de marca
Artigo 192
(Revogado pela Lei nº 9.279, de 14.5.1996)

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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Conhecendo o Artigo 192 do Código Penal: A Fraude na Venda de Coisas

O artigo 192 do Código Penal aborda uma conduta específica de fraude, focada na venda de coisas, especialmente mercadorias ou bens. Ele pune a ação de quem, ao vender algo, oculta ou faz desaparecer do seu patrimônio o valor recebido em consequência da venda.

Em termos simples:

Imagine que você vendeu um objeto, recebeu o dinheiro, mas em vez de utilizar esse dinheiro para cumprir com as suas obrigações futuras relacionadas a essa venda (como, por exemplo, entregar o bem, pagar um fornecedor ou quitar uma dívida que você tinha com esse bem), você se desfaz desse dinheiro de forma intencional. Isso configura a fraude prevista neste artigo.

Os Elementos Essenciais do Crime:

Para que o artigo 192 seja aplicado, é necessário que estejam presentes os seguintes elementos:

  • Venda de Coisa: Deve haver uma transação de venda de um bem, seja ele móvel ou imóvel, material ou imaterial.
  • Recebimento do Valor: O agente deve ter efetivamente recebido o pagamento pela venda.
  • Ocultação ou Desaparecimento do Valor: O ponto crucial é que o agente, após receber o valor, oculte ou faça desaparecer o dinheiro ou o valor correspondente. Essa ação deve ser intencional, com o objetivo de prejudicar terceiros.
  • Prejuízo a Terceiro: A conduta do agente deve gerar um prejuízo para outra pessoa. Esse prejuízo geralmente decorre da impossibilidade de o comprador obter o que lhe foi prometido na venda, ou de credores daquele que vendeu não terem como receber seus créditos.

Exemplos Práticos:

  • Um vendedor que recebe o sinal de um imóvel, mas, em vez de reservar o dinheiro para a finalização da compra, o gasta em outras despesas sem avisar o comprador, tornando impossível a conclusão do negócio.
  • Um comerciante que vende mercadorias a prazo, recebe o pagamento adiantado de um cliente e, em seguida, desaparece com o dinheiro, sem entregar as mercadorias ou devolver o valor pago.
  • Alguém que vende um carro, recebe o dinheiro e o utiliza integralmente para quitar outra dívida pessoal, deixando o comprador sem o bem.

A Finalidade do Artigo:

O objetivo deste artigo é proteger a boa-fé nas relações comerciais e de consumo. Ele visa coibir práticas fraudulentas que lesam consumidores, compradores e outros envolvidos em transações de venda, garantindo que os acordos sejam cumpridos e que os valores recebidos sejam utilizados de forma adequada.

Pena:

A pena prevista para este crime é de detenção, de seis meses a dois anos, e multa. O tempo de prisão é relativamente curto, mas a multa busca compensar o dano financeiro causado à vítima.

Importante:

É fundamental entender que o artigo 192 se diferencia de outros crimes de estelionato em que a fraude ocorre antes ou durante a venda para induzir alguém a erro. Aqui, a fraude se manifesta após a efetivação da venda e o recebimento do valor, através da manipulação desse valor para prejudicar terceiros.